A história da Caipirinha

A cachaça, o “coração” da Caipirinha, é genuinamente nacional. Sua história remonta ao tempo da escravidão quando os escravos trabalhavam na produção do açúcar da cana de açúcar. O método já era conhecido e consistia em se moer a cana, ferver o caldo obtido e, em seguida deixá-lo esfriar em fôrmas, obtendo a rapadura, com a qual adoçavam as bebidas.

Ocorre que, por vezes, o caldo desandava e fermentava, dando origem a um produto que se denominava cagaça e era jogado fora, pois não prestava para adoçar. Alguns escravos tomavam esta beberagem e, com isso, trabalhavam mais entusiasmados.

Mas com o passar dos tempos e o aprimoramento de sua produção, acabou atraindo novos consumidores de várias classes sociais e a ter importância econômica no cenário do Brasil colônia. Tal fato tornou-se uma ameaça aos interesses portugueses, pois a bagaceira bebida típica de Portugal e feitas à base das sobras da vinificação passou a ser menos consumida e importada na colônia, enquanto a cachaça saía das senzalas dos escravos e se introduzia não apenas nas casas dos senhores de engenho, mas também nas dos ricos portugueses que por aqui viviam.

Diante desta realidade, a venda da cachaça chegou a ser proibida na Bahia em 1635, sendo que em 1639 deu-se a primeira tentativa de impedir o seu fabrico no Brasil. Na época da transmigração da corte portuguesa em 1808 para o Rio de Janeiro, a cachaça já era considerada como um dos principais produtos da economia brasileira. Em 1879 já se podia dizer que a cachaça era a aguardente do país.

Mas quando é que o nome de caipirinha teria sido usado pela primeira vez para rotular este cocktail?

Caipira era o termo usado pelos paulistas que designava o habitante do interior e que segundo o dicionário de vocábulos brasileiros de 1889 aparentemente teria originado do tupi, “Caipora” ou “Curupira“. Caipora em uma tradução literal do tupi significa “habitante do mato“. Curupira é um ente fantástico da mitologia popular brasileira, um demónio que vagueia errante pelo mato com os pés voltados para trás. A cachaça misturada a alho e limão macerados e adocicado com mel silvestre era tido popularmente como um santo remédio na cura de gripes e resfriados.

Talvez aqueles que abusavam deste santo remédio acabavam vendo, valorizados pela mitologia nacional “Curupirinhas” à sua volta, e tivesse surgido daí o nome da bebida “caipirinha”. A bebida passou de remédio para cocktail, quando se trocou o mel pelo açúcar, retirou-se o alho da mistura e manteve-se o limão macerado, a cachaça, além de acrescentar o gelo à mistura.Bebida de sabor ácido, aroma cítrico e paladar agradável dando água na boca, a Caipirinha entrou em 1997 para o seletíssimo grupo de cocktails da I.B.A. – International Bartender’s Association, sendo assim divulgada para mais de 50 países e oferecida nos principais cardápios de bares e restaurantes mais famosos do planeta, preparadas pelos maiores mestres da arte da coquetelaria.

Disponível em: http://www.caipirinha.com.br/blog-caipirinha/historia-da-caipirinha Assesado em dezembro de 2013. Texto Adaptado.

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